Uso Racional da Água





O Atlas da ANA

O Atlas Regiões Metropolitanas é o resultado de um trabalho conjunto, desenvolvido sob a coordenação da Agência Nacional de Águas (ANA), com a participação e instituições federais e entidades dos 27 estados brasileiros e do Distrito Federal.

Trata-se de um estudo que abrange a totalidade das regiões metropolitanas e maiores aglomerações urbanas do País, demonstrando um grande desafio: a sustentabilidade hídrica e urbana das principais cidades brasileiras. Nessas regiões, projeta-se um incremento demográfico, até o ano de 2025, de quase 25 milhões de habitantes, implicando num substantivo aumento das demandas de abastecimento urbano e exigindo aportes superiores a 84 m3/s nos próximos 20 anos.

As avaliações realizadas no âmbito do Atlas permitiram identificar que 66% das cidades estudadas requerem investimentos em ampliações e adequações de sistemas produtores ou no aproveitamento de novos mananciais, resultando num aporte de investimentos de R$ 12 bilhões.

No conjunto e soluções propostas, destacam-se, por exemplo, os seguintes aspectos: a necessidade de se buscarem mananciais cada vez mais distantes e os investimentos em obras de regularização evidenciam a pressão dos grandes centros urbanos sobre os recursos hídricos locais, como nos casos de Curitiba, Goiânia, Distrito Federal e Fortaleza, e implicam em ações para a gestão dos reservatórios e controle de fontes poluidoras; e a diminuição gradativa do aproveitamento de águas subterrâneas constitui-se em diretriz estratégica em várias cidades, tais como Belém, Manaus, Natal e Maceió, implicando em maiores investimentos para o aproveitamento de novos mananciais superficiais ou ampliações de sistemas existentes.

Vamos cuidar da água!

O Brasil possui 12% da água doce superficial do mundo, mas sua distribuição é desigual no território nacional. Veja como pequenas mudanças de hábito podem fazer a diferença:

  • • fechar bem as torneiras e mantê-las fechadas ao escovar os dentes e ao lavar louças e roupas;
  • • regular as descargas;
  • • manter os encanamentos sem vazamentos;
  • • trocar a mangueira pela vassoura para limpar a calçada;
  • • usar balde ao invés de mangueira pra lavar carro;
  • • evitar banhos longos.

Quanta água temos pra usar?

A água doce equivale a menos de 3% de toda água do mundo – o restante é constituído por água do mar e não potável. Desses 3%, mais de 2,5% estão congelados na Antártica, no Ártico e em geleiras, não disponível para o uso humano.

Em outras palavras, todas as necessidades de água doce do homem e dos ecossistemas dependem de 0,5% de água doce disponível no planeta. O difícil é encontrar esses 0,5% de água:

  • • 10.000.000 Km³ estão armazenados em aquíferos subterrâneos;
  • • 119.000 Km³ encontram-se sob a forma de chuvas, depois de descontada a evaporação;
  • • 91.000 Km³ em lagos naturais;
  • • Mais de 5 mil Km³ em reservatórios construídos pelo homem – o que representa um aumento de sete vezes a capacidade global de armazenamento desde 1950;
  • • E apenas 2.120 Km³ estão disponíveis nos leitos dos rios – constantemente repostos com as chuvas e o degelo.

Água de qualidade é sinônimo de vida

Sem água limpa e potável o ser humano adoece e morre. As pessoas precisam de água de qualidade para cozinhar, lavar, beber, assim como precisam de saneamento básico.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde mais de 3.500 crianças morrem diariamente por consumo de água insalubre ou por falta de higiene, ao passo que 1,8 milhão de pessoas morre todo ano de doenças diarréicas (incluindo a cólera).

O serviço de abastecimento de água no Brasil cobre 89% de sua população (Censo IBGE – 2000). O atendimento com rede de água varia de região para região: a parte Norte do Brasil é a que apresenta os menores índices de cobertura com rede de água (inferior a 70% da população). No entanto o restante do território brasileiro apresenta índice de cobertura superior a 80% da população, com predominância de índices acima de 90%.

Racionalizar o uso dos aquíferos é pensar no futuro

Em 60% das cidades européias com mais de cem mil habitantes as águas subterrâneas estão sendo consumidas a uma taxa superior à sua capacidade de reposição, de acordo com informações do World Bank Group. E mesmo a pouca água disponível tem uma captação cada vez mais onerosa. Cidades como Bangcoc, Cidade do México, Manilha, Beijing, Madras e Xangai já apresentam quedas de 10 a 15 m3 em suas reservas aquíferas.

Fazendo um paralelo entre a oferta e a demanda por água com base no crescimento da população mundial – estimado pela ONU num aumento de 3 bilhões de pessoas até 2050 –, se não encontrarmos maneiras de conservação e reuso de água, a demanda aumentará ao passo que a oferta tenderá a sofrer uma diminuição gradual.

4 maneiras para contribuir para o estresse hídrico

Entende-se por estresse hídrico as situações onde não há água suficiente para todos os usos, sejam agrícolas, industriais ou domésticos.

  • Extração excessiva das águas de superfície
  • Extração excessiva das águas dos aquíferos subterrâneos
  • Poluição dos recursos de água doce
  • Uso ineficiente da água doce

5 tendências que afetarão o uso de água doce

  • Crescimento populacional: projeções indicam que a população atingirá oito bilhões de habitantes em 2030, se estabilizando em nove bilhões em 2050.
  • Crescente riqueza: a taxa de diminuição da pobreza está se elevando, entretanto, a crescente aglomeração leva a um maior consumo de água.
  • Expansão da atividade econômica: da industrialização até serviços como turismo e lazer, a atividade econômica está em franca expansão, demandando mais serviços como abastecimento de água e saneamento e exercendo ainda mais pressão sobre os recursos hídricos e os ecossistemas naturais.
  • Rápida urbanização: pequenos poços privados e fossas sépticas atendem às necessidades de comunidades de baixa densidade, mas não às áreas urbanas densamente povoadas.
  • Mudanças climáticas: elas podem aumentar as precipitações anuais e disponibilizar mais água doce em algumas regiões. Mudanças climáticas, a despeito das incertezas que as cercam, representam vários riscos à disponibilidade de água e aos sistemas de gestão de recursos hídricos.

O melhor amigo do rio é o verde. Preserve-o!

Ações de preservação ambiental sempre andam casadas com ações de preservação dos recursos hídricos. Preservando e mantendo limpos e protegidos nascentes, rios, lagos e lagoas estamos contribuindo para a garantia da oferta de água para as atuais e futuras gerações.

Medidas de conservação do solo são extremamente importantes, como o plantio de matas ciliares (aquelas que estão em volta dos rios).

Não jogue lixo na água. A sujeira que jogamos no rio o mata. E rio de águas sujas não ajuda ninguém.

Não se esqueça: “o melhor amigo do rio é o verde”!

Quem paga a conta?

O abastecimento de água e o saneamento demandam enormes investimentos em infraestrutura como redes de tubulações, estações de bombeamento e de tratamento de água.

Com a infraestrutura implantada a gestão dos sistemas de abastecimento de água e de saneamento estará vinculada aos altos custos com pessoal, energia, produtos químicos, manutenção e outras despesas. As fontes para estes custos capitais e operacionais são basicamente as taxas pagas pelos usuários, fundos públicos ou alguma combinação de ambos – este é o ponto onde a gestão dos recursos hídricos se torna extremamente complexa por ser um ponto de intersecção com uma política social e econômica mais ampla.

Vai faltar água?

Com o crescente problema de escassez e contaminação, a preocupação com o manejo sustentável da água ganha cada vez mais relevância em todo o mundo. Levantamento da ONU aponta que até o ano de 2025 o número de pessoas que vivem em países submetidos a grande pressão sobre os recursos hídricos passará dos cerca de 700 milhões atuais para mais de 3 bilhões. Fatores ambientais, econômicos, sociais e gerenciais contribuem para esta crise de abrangência mundial.